Amigas e amigas,
a nova Reitoria da PUC-SP, eleita no ano passado, começou sua gestão com uma ameaça ao Contraponto, jornal-laboratório do curso de Jornalismo, eleito pela Expocom (Exposição da Pesquisa Experimental em Comunicação) o melhor jornal do gênero do Brasil há dois anos.
Em reunião com o professor Wladyr Nader, coordenador do curso de Jornalismo, no começo de março, para discutir os gastos em produções laboratoriais, a assessoria da Vice-Reitoria Administrativa abriu a possibilidade de mudar o jornal de quatro cores para PB com o objetivo de "baratear o custo de gráfica".
a nova Reitoria da PUC-SP, eleita no ano passado, começou sua gestão com uma ameaça ao Contraponto, jornal-laboratório do curso de Jornalismo, eleito pela Expocom (Exposição da Pesquisa Experimental em Comunicação) o melhor jornal do gênero do Brasil há dois anos.
Em reunião com o professor Wladyr Nader, coordenador do curso de Jornalismo, no começo de março, para discutir os gastos em produções laboratoriais, a assessoria da Vice-Reitoria Administrativa abriu a possibilidade de mudar o jornal de quatro cores para PB com o objetivo de "baratear o custo de gráfica".
Os participantes do Contraponto organizaram um movimento contra a medida insensata e burra da Reitoria e pediram para os alunos formados escreverem textos sobre a importância do jornal na formação acadêmica. Abaixo o texto enviado por mim.
Depoimento sobre o Contraponto
Quatro anos. Muitas experiências, decepções, aprendizado e enrolação. Em todo o período, nada foi tão importante para a minha formação acadêmica como o Contraponto, jornal-laboratório da PUC-SP, criado em outubro de 2001, no meu primeiro ano na universidade.
No curso inteiro, o Contraponto foi a única experiência universitária que levou os estudantes a se sentirem jornalistas de verdade. Fazer um trabalho e entregar para o professor é muito diferente de publicar uma reportagem em um jornal, com tiragem de três mil exemplares, lido no país inteiro e respeitado no mercado de trabalho.
Em 2001, participei das discussões para a elaboração do jornal, sua política editorial e seu formato. Logo no ano seguinte, ganhamos o premio da Exposição da Pesquisa Experimental em Comunicação (Expocom) de melhor jornal laboratório do Brasil.
Tenho diversas reportagens publicadas no Contraponto nos quatro anos de PUC. Entrevistei para o jornal uma série de personalidades, como o sociólogo Octávio Ianni, o articulista Janio de Freitas e os repórteres Rubens Valente e Eduardo Scolese (Folha de S.Paulo), os jornalistas Juca Kfouri (CBN e TV Cultura) e Paulo Henrique Amorim (TV Record), o cineasta Manoel Rangel (assessor do Ministério da Cultura), o responsável pela TV Cultura Jorge da Cunha Lima, o responsável pelo provedor UOL Gil Torquato, o presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo Frederico Ghedini, o jornalista e matemático Cláudio Weber Abramo (ONG Transparência Brasil), entre outras que não me recordo.
Tenho diversas reportagens publicadas no Contraponto nos quatro anos de PUC. Entrevistei para o jornal uma série de personalidades, como o sociólogo Octávio Ianni, o articulista Janio de Freitas e os repórteres Rubens Valente e Eduardo Scolese (Folha de S.Paulo), os jornalistas Juca Kfouri (CBN e TV Cultura) e Paulo Henrique Amorim (TV Record), o cineasta Manoel Rangel (assessor do Ministério da Cultura), o responsável pela TV Cultura Jorge da Cunha Lima, o responsável pelo provedor UOL Gil Torquato, o presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo Frederico Ghedini, o jornalista e matemático Cláudio Weber Abramo (ONG Transparência Brasil), entre outras que não me recordo.
Contudo, ser jornalista não é apenas fazer entrevistas e produzir reportagens, mas participar de um coletivo de pessoas que constroem dia a dia uma publicação, com um projeto editorial, uma linha de abordagem e um prazo de fechamento. Além disso, é enquadrar seu texto dentro de um contexto editorial, não como peça isolada.
O jornalista deve também ir além do texto. Só trabalhando num jornal se percebe a dimensão que tem as imagens e as construções gráficas, e a importância de chapéus, linha-fina, olhos, intertítulos, copidescagem, revisão e edição. Tudo voltado para satisfazer o leitor e informá-lo da melhor maneira. No entanto, isso só faz sentido quando o material produzido vai além do professor e chega ao público, aquele que teremos que enfrentar por toda a carreira como profissionais.
Por esse conjunto de fatores agregados na participação dos estudantes no jornal, todas as vezes que fui fazer uma entrevista de trabalho, levei as edições do Contraponto nas quais escrevi debaixo do braço. Aqueles que conheciam, davam pontos para mim por participar do jornal; os que viam pela primeira vez, ficavam impressionados pela “cara” do jornal, a foto grande e virtuosa da capa, o formato tablóide e a diagramação diferenciada e as cores no seu interior. Impactante, o material sempre chamava atenção.
Nas viagens que fiz durante o curso de Jornalismo, por exemplo, para o 2º e 3º Fórum Social Mundial, em Porto Alegre (RS), e para o 1º Fórum Social Brasileira, em Belo Horizonte (MG), quando distribuíamos o Contraponto, à primeira vista, as pessoas se interessam pela publicação por causa do seu visual. Só depois, com o contato com os textos, percebiam as suas qualidades editoriais. No Jornalismo, conteúdo e forma estão ligados de maneira permanente e inviolável. Quando se coloca o cuidado com o aspecto visual em segundo plano, marginaliza-se também o conteúdo.
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Depois de toda essa caminhada, na qual solidificamos um jornal de primeira qualidade e com credibilidade, tirar as cores do Contraponto não é só tirar o brilho de uma publicação premiada, mas regredir na construção de um curso de Jornalismo que forme estudantes capacitados para atuar como jornalistas em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo e cruel.
Um comentário:
Fiz uma passagem meteórica pela puc e mesmo nesse pouco tempo que passei lá pude perceber a importância do contraponto, e não poder mais participar de sua produção foi o que mais me doeu. Ainda faço jornalismo, mas como o dinheiro é pouco e a puc é absurdamente cara tive que vir estudar em Londrina, numa universidade estadual. Posso dizer uma coisa? Q saudades do contraponto...
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